Fev 03,2022
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DOR NEUROPÁTICA – do que se trata?

A dor neuropática pode ser definida como uma sensação anormal de dor, causada por lesão ou disfunção do sistema nervoso periférico ou central, que leva a alterações dos mecanismos de percepção da dor. É caracterizada por uma dor intensa no trajeto ou zona de enervação do nervo, que pode ser sentida em forma de queimadura, agulhadas, choques ou hipersensibilidade ao toque. No entanto, pode estar envolvido mais de um nervo, levando a uma dor generalizada, que pode afetar o tronco e membros. Esta pode ser sentida de forma intermitente ou contínua e a sua intensidade pode variar de leve a muito intensa, dependendo da causa e dos nervos que estão envolvidos.

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Quais as causas mais comuns?

  • Alcoolismo e deficiência nutritiva, pois afetam a função nervosa de forma significativa;
  • Diabetes mellitus – afeta principalmente os membros, causando neuropatia diabética;
  • Infecções por bactérias ou vírus – como herpes, por exemplo, que podem afetar os nervos pela libertação de toxinas;
  • Traumatismos – por acidentes, fraturas ou cirurgias, que comprometam a integridade do tecido neural;
  • Quimioterapia;
  • AVC;
  • Nevralgia do trigêmeo;
  • Doenças neurodegenerativas – ex. Esclerose Múltipla.

Como aliviar ou eliminar a dor neuropática?
“Atualmente, o tratamento da dor neuropática ainda é um desafio.” Esta frase pode ser encontrada em muitas fontes que falam desta temática, pois, apesar dos avanços continuados, a dor neuropática é um problema bastante complexo e variável nas suas causas e de pessoa para pessoa.

A nível farmacológico, os analgésicos são a intervenção de primeira linha, com os quais a maioria dos pacientes vai beneficiar de um alívio satisfatório da sua dor. No entanto, outros indivíduos apresentam alguma resistência aos mesmos. É aqui que entra a medicação adjuvante, tais como os antidepressivos, pois tanto ajudam a diminuir a percepção da dor como a gerir o estado emocional/depressivo de quem vive com este problema de forma crónica; e antipiléticos, que atuam diminuindo a atividade elétrica dos nervos ou inibindo a passagem da dor por determinadas vias nervosas.

Os principais motivos para o fracasso no tratamento da dor neuropática estão associados à falta de compreensão dos mecanismos da dor, escolha errada ou insuficiente do tratamento, diagnóstico impreciso da causa e gestão inadequada das comorbidades inerentes.

A fisioterapia poderá ajudar a controlar a dor neuropática?
Sem dúvida que a fisioterapia está munida de diferentes técnicas e abordagens para ajudar a melhorar e/ou resolver este problema. Podendo focar-se em:

  • Dessensibilização da zona afetada, ou a forma como o cérebro a processa, recorrendo a técnicas suaves de terapia manual e/ou miofascial, de forma a informar o cérebro que nem todos os estímulos que chegam dessa zona são sinais de perigo/alerta e, por isso, não têm de ser traduzidos em dor;
  • Modelação da excitabilidade e funções do tecido nervoso e cérebro, através da Neuromodelação, EPI – eletrólise percutânea intracelular e magnetoterapia;
  • Correção mecânica das estruturas e libertação do tecido nervoso – reequilibrar a tensão de músculos que se avizinham ao trajeto do nervo e repor a normal mobilidade articular (sobretudo vertebral), pois são causas comuns de compressão e irritabilidade do tecido nervoso. Através de técnicas de mobilização (desde passivas a ativas), manipulação vertebral e mobilização neural, de forma a facilitar o movimento normal do nervo dentro da sua bainha (película que o envolve).

Em casos mais severos, e como último recurso, temos a intervenção cirúrgica, que, infelizmente, ainda não dá garantias palpáveis de sucesso.

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