Jan 05,2022
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Dor lombar: o que é, como pode surgir, como melhorar/gerir/o que há a fazer sobre ela

A dor Lombar, também conhecida por Lombalgia, é uma dor na região inferior da coluna vertebral.

E como qualquer dor, é um sinal de alarme de que algo não está bem.

É importante ter presente que para haver dor lombar, não tem, necessariamente, de haver um dano estrutural (am algum tecido). Por outro lado, a existir um dano (como por exemplo, uma lesão do disco vertebral), não significa, obrigatoriamente, que a dor tenha a sua causa nessa alteração.

Considerando a duração, a dor lombar pode ser aguda ou crónica. A dor aguda, é uma dor normalmente associada a um trauma (como uma queda) ou a uma sobrecarga (como um esforço, um gesto repetido, ou uma posição exigente mantida no tempo). As pessoas com dor aguda, normalmente referem-se ao gesto despoletador como “um jeito”. Considera-se crónica, a dor que persiste por mais de 3 meses. Em muitos casos, esta dor não é constante, mas permanente. Ou seja, não está sempre presente, mas aparece em dias diferentes, ou em momentos diferentes do dia (por exemplo só à noite, ou só de manhã).

O portador de dor lombar crónica (quando leve), tende, erradamente, a adaptar-se a ela, sendo comum, em consulta, não a referirem como uma disfunção existente.

Quanto a localização, a dor lombar pode variar entre regional, referida e irradiada. Isto é o um dos aspectos que torna esta condição tão desafiante e complexa. A dor regional ocorre quando doi na região lombar e a pessoa consegue dizer e, até palpar onde doi. A dor referida, é uma dor mais espalhada e inexpecífica, com origem noutro local que não a região a lombar. Um exemplo disto é a dor lombar com origem numa disfunção visceral (órgão interno), como por exemplo o intestino ou estômago. Tal acontece pelo facto desse órgão interno partilhar o mesmo nível de inervação da região dolorosa. A dor irradiada, é uma dor que se prolonga pelo percurso de um nervo com origem na região lombar (e/ou sacro). Um exemplo muito comum destes casos é a “dor ciática”, que tipicamente se traduz por uma dor que percorre a região posterior da perna, podendo ir da lombar até ao 1º dedo do pé passando pela nádega.

Esta ocorre pela afeção, ou sensibilização do nervo ciático (de quem herdou o nome).

Avaliação e Tratamento da Dor Lombar

Muitas vezes, a dor lombar é referida como dor lombo-sagrada, quando esta se estende à região do sacro (região subjacente e inferior à coluna lombar). Não obstante esta classificação, a dor lombar pode conjugar estas três localizações, o que pode agravar e confundir todo o quadro clínico. Esta condição requer uma avaliação muito objetiva a fim de apurar os pontos-chave de intervenção, com maior eficácia e sucesso. Como qualquer dor, a dor lombar pode ser multifatorial. Pode ter várias e diferentes causas que, em proporções variáveis, constroem a experiência de dor que a pessoa tem.

A dor pode ter como causa um estímulo nociceptivo, decorrendo de um estímulo doloroso local, quando, por exemplo, uma faceta articular (articulação entre vértebras) está afetada ou sensível. De entre os estímulos locais que podem provocar a dor, podemos considerar:

  • Fatores anatômicos, como as articulações vertebrais, os músculos, os ligamentos ou os discos vertebrais;
  • Fatores biomecânicos, como a mobilidade ou rigidez, a postura;
  • Fatores neurofuncionais, como os terminais nervosos e a sinergia e qualidade da ativação muscular;
  • Fatores neurovasculares, alterações da vascularização da região;
  • Fatores imunológicos, como doenças inflamatórias ou autoimunes;
  • Outros, como tumores ou outras condições igualmente graves.

Além destes estímulos dolorosos locais, existem outros fatores que, associados a estes ou isolados, podem provocar uma experiência de dor lombar. Estes são particularmente importantes quando falamos de dor crónica, pois não podemos esquecer que a dor é percebida no cérebro. Estas são algumas causas que podem contribuir para a dor lombar:

  • Stress;
  • Estado de humor e emoções;
  • Sono;
  • Alterações viscerais;
  • Sensibilização central (sistema nervoso central mais sensível);
  • Postura;
  • Relações sociais e familiares;
  • Satisfação laboral;
  • Medicação;
  • Outros.

O mais importante na dor lombar é avaliar a pessoa na sua globalidade (como um sistema complexo que é), identificar o(s) pontos-chave interveniente(s) na dor e agir sobre eles. Tal como a possível causa, esta avaliação deve ser multifatorial e considerar todos os elementos atrás descritos, conjugando-os de forma objetiva e coerente. Uma chamada de atenção para os exames complementares de diagnóstico, como a ressonância magnética. Estes, apesar da sua alta especificidade, não decretam o diagnóstico, apenas contribuem com mais informações para o mesmo. Muitas vezes não “detectam” nenhuma alteração e a pessoa tem dor na mesma.

Estes são os elementos a ter em conta quando avaliamos a dor lombar (principalmente a crónica):

  • Postura estática e dinâmica (coluna, pés, relação oculomotora);
  • Mobilidade (da coluna e de outras regiões e segmentos);
  • Padrões de movimento e qualidade de gestos desportivos ou laborais;
  • Qualidade muscular (força, sinergia, controlo);
  • Resposta fisiológica ao stress;
  • Vascularização (trofismo local);
  • Ação nervosa (reflexos, sensibilidade, força);
  • Sono (qualidade e consistência);
  • Alimentação (macro e micro nutrientes, hidratação, carácter inflamatório);
  • Estado mental e emocional;
  • Qualidade das relações sociais;
  • Entre outros.

Seguindo o princípio da avaliação, o plano terapêutico deve ser suficientemente abrangente e objetivo, de forma a integrar, sistematicamente, as várias valências e técnicas dirigidas a cada causa. O plano deve ser sempre orientado ao problema e não ao(s) sintoma(s). Qualquer plano terapêutico deve abordar a componente funcional e a componente estrutural (caso exista). Isto é dizer que, por trás de uma disfunção como a dor lombar, existe sempre alguma alteração funcional, podendo, ou não, existir uma alteração estrutural. O que acontece, muitas vezes, é que uma alteração funcional, mantida no tempo, pode levar a uma alteração estrutural. Por exemplo, uma alteração postural ou um padrão motor desajustado pode, no tempo, levar a uma lesão no disco.

Assim, o que o profissional e o utente se devem questionar, sempre, é sobre o porquê e sobre a origem da disfunção. Cada caso é um caso e, por isso, não há dois tratamentos exatamente iguais. Logo, cada plano terapêutico é único e verdadeiramente personalizado.

Dentro do plano terapêutico, devemos ter conhecimento, experiência, tecnologia e técnicas para abordar o problema de forma global. De seguida, expomos alguns métodos que, conjugados, podem constituir uma solução eficaz:

  • Eletrólise Percutânea;
  • Neuromodelação;
  • Eletroterapia de baixa e média frequência;
  • RPG – Correção Postural Global;
  • Eletroterapia de alta frequência (Diatermia, Micro-Ondas);
  • Exercício Clínico;
  • Magnetoterapia de alta intensidade;
  • Nutrição;
  • Podologia (Palmilhas de Correção);
  • Controle de Stress;
  • Melhoria do Sono;
  • Ergonomia Laboral;
  • Acupuntura;

Em suma, para resolver uma dor lombar, devemos ter uma visão e uma intervenção global e integrada, considerando todo o indivíduo e orientando o processo na direção da causa do problema.

 

Por: Mário Costa

3 de Janeiro, 2022
Dor, o que é?!

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